Chegar ao ponto que se quer é algo medonho.
"Tá, agora já achei o tesouro. Tem mais pista? Não. Aproveite.".
O que diabos isso pode ser?!
Em algum dia, aquela que escrevia sobre a paz, ficou maluca.
Aquela que falava em tristeza, viu o mundo ficar fluorescente.
E aquela outra lá, que não falava nada com nada, de repente é concisa.
Hoje liguei para o meu pai. Era pra tirar uma dúvida, motivo costumeiro pra se ligar a um pai. Para a minha surpresa, depois da pergunta "Tudo bem, pai?" veio um mundo de desabafo. Meu sorriso naquela hora era completamente o oposto da voz cansada e desesperada do meu pai. Um dia a gente vai dormir filho, no outro, acorda amigo. E que satisfação é perceber isso.
São crianças como você.
Sempre foram.
Uma solidez em mim tem me amedrontado. Não sei se me tornei aquilo que sou capaz de ser. O mundo é um equilíbrio, e cada vez mais minha convicção nisso aumenta. Não consigo ser mais do que poderia ser porque não me permito. Não deixo ser menos do que poderia ser porque também não me permito. E não é premeditado. É uma simples equação que o cérebro faz, essa maquininha fudida que a gente ganha quando nasce.
Tenho medo, e isso não me é normal ainda. Medo é normal, sentí-lo, ainda não. Ainda me dá medo. Medo de ser feliz é a coisa mais tonta que se pode sentir, mas tão óbvia que dá raiva.
Autosabotagem, diria o meu irmão com toda a razão do mundo.
De repente, estou exatamente onde planejei, mas esse lugar me é tão estranho que não consigo vivê-lo como havia planejado.
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