Essa noite eu sonhei que tinha encontrado uma maletinha rosa, da Xuxa. Nossa, como ela me acompanhava. Tinha todos os meus dinheirinhos, todos os papéizinhos, batonzinhos, elastiquinhos, tudo que me era sagrado e pequeno.
No sonho eu encontrava dentro dessa maletinha um bloco de anotações, todo rosa, da Hello Kitty que há uns dias atrás eu tinha comentado com a minha mãe.
Eu chorei ao rever esse bloquinho. Chorei tanto... Tantas memórias... Um sentimento tão forte me tomou naquela hora, um redemoinho de flashes antigos veio, de sensações infantis. Até pessoas que nem faziam parte da minha infância tavam lá, com seu nome escrito.
Lá continham frases de quando eu era pequena, com a minha mesma letra crua, de quem pega a caneta com a palma toda da mão. "Mamãe, eu te amo. Me desculpe por ontem." Ou "Mamãe, você é a melhor mamãe do mundo."
Eu sempre tive esse costume de escrever.
Os meus pedidos de desculpa pra minha mãe, e era sempre pra ela, se resumiam a bilhetinhos pendurados na porta dela, ou enviados debaixo da porta durante a noite, ou um recado debaixo do travesseiro. Nunca tive coragem de entregar olhando na cara dela. O olhar da mãe é muito bravo!, eu pensava.
E acho que até hoje eu sou assim.
Ando perturbada. Desconcertada. E, como eu sempre fiz, o meu organismo tá pedindo que eu escreva novamente, pra ver se consegue algum tipo de alívio.
Eu to com o mesmo medo de quando eu era pequena. Tudo isso sempre volta, de maneiras completamente diferentes, mas volta. E o meu cérebro idiota acha que tudo se resolve mandando um bilhete, igual eu mandava pra mamãe.
Talvez escrever aqui, hoje, me ajude.
Mas tá na hora do cérebro entender que nem tudo se resolve com bilhetes... Ou não!!
Reencontrar a maletinha rosa da Xuxa foi tão bom!!
Seleção natural.
Há 14 anos
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