Eu me rendo. Assim fácil, assim sem forçar. Eu me rendo e vou de mãos dadas dando risada. Me rendo ao natural, ao óbvio, jogada, com medo mas nunca contida.
É assim fácil mesmo, porque a gente tem que complicar tanto e tudo sempre?
Um mais um é dois, nada de variável, nada de incógnita, nada de integral. Integral só se for a vida mesmo. Viver integralmente. Na plenitude.
Eu to lá, você também, e ninguém nunca vai saber ao certo o que vai acontecer. E não é por isso que não se arrisca. Quem não arrisca não petisca. E eu quero petiscar tudo o que der.
Você tem receio, o tal do pé atrás. Eu não tenho meta, nem seta. Não quero que você jure nada, não vou lamentar nada, eu adoro me machucar! Cicatriz faz lembrar que a gente tem matéria e história. E entenda que eu não me satisfaço com metade.
E assim a gente vai. Leve, solto, na corda bamba, um equilibrando o outro, e desequilibrando o outro também, só pra dar ainda mais risada. Porque ninguém vai soltar ninguém, só vai rir da cara do outro.
E assim vai continuar, e quem sabe um dia a gente não compra uma bicicleta e vai pedalar. Ou um barco pra pescar e roubar laranja.
E caso você leia isso um dia, não me conte. Eu gosto de pensar que só a Lucy sabe de tudo.
Seleção natural.
Há 14 anos
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