11.9.08

O último romance

O último romance
Ele sempre esperou acontecer. Sempre. Achava que sua existência era importante, ou, talvez, boa demais para ser gasta com coisas banais. Esperava os amigos ligarem, as pessoas virem falar-lhe, alguém oferecer carinho e perceber as suas necessidades. No dia seguinte ligaria, na outra semana falaria com um amigo mais chegado...adiava a vida.
- Apareça em casa! Vamos comemorar a entrada na faculdade! – não, ele não perderia tempo, nem tinha conseguido bons resultados nos exames.
- E aí, sábado à noite nos encontraremos? – será que tudo é diversão para essa gente? E, então, ele a conheceu. Esperava que ela fizesse algo, e ela fazia. Esperava-a pronunciar palavras que o satisfizessem, e ela dizia.
O tempo passou e ele se casou com ela; uma mulher madura suficientemente para transformar aquele homem dotado de um mau-humor, uma repugnância por tudo que era harmonioso e que suscitasse um sentimento agradável em alguém. Uma mulher otimista ao extremo!!! E que disposição para tornar o companheiro um ser melhor perante os amigos que lhe sobraram.
- Coloquei a minha melhor roupa para jantarmos fora! – que droga, e ele pensou que o jantar já estava pronto.
- Tudo bem, pelo menos estou bonita para recebê-lo na nossa própria casa! Se você não se importar com o cheiro que ficará impregnado no meu cabelo cacheado, num instante a comida estará pronta! Era demais! Quem suportaria aquilo? ELA.
- Saia do sofá...nossa cama está tão quentinha!!! – animava-o a se deitar com ela...tão linda...tão correta...tão...persistente.
Surpreendentemente, a paciência dela se esgotou. O carinho, raro, coçava-lhe o rosto. As palavras românticas soavam a Almeida Garret. Os presentes tornaram-se denúncias de delitos...
Era o fim.
O que, no início, era impossível de ela conceber, invadiu-lhe a vida e tingiu de preto o que era rosa. E ela se foi, percebendo que ele era pequeno demais para fazê-la um ser completo. E ele ficou, sentindo, pela primeira vez, que teve a VIDA como companheira, mas deixou-a escapar de sua própria existência, ciente de que, sozinho, não saberia por onde recomeçar...

para lembrar os bons tempos...

Um comentário:

  1. achei um tema.. intimidade.. por que é tão díficil que eu crie intimidade com alguém? o que é intimidade? apenas falar com a pessoa sem tocá-la, quando ela abre o coração e fala de coração. ponto. você criou intimidade com alguém. é isso? é tão difícil criarmos intimidade com alguém e no fundo o que mais desejamos é expor nossos sentimentos e o que tá pulsando e expulsando de lá do fundo do nosso coração para o mundo.. vomitar para o mundo tudo o que se passa por dentro pra depois ver se vem aquele alívio, aquela sensação de ufa, até que enfim...ou apenas pra receber um deedback?( sim deedback.. pq é um como se alguém viesse apontar o dedo pra você..dizendo opnioes que no fundo nao lhe importam e nao lhe interessam nem um pouco. de verdade. um feedback.. um "aham" de preferência positivo? é?

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